segunda-feira, 6 de junho de 2011

4º Desafio - Pais e Filhos

A nível da família, constato muitas vezes uma diminuição do prazer dos adultos no convívio com as crianças: vejo pais exaustos, desejosos de que os filhos se deitem depressa, ou pelo menos com esperança de que as diversas amas electrónicas os mantenham em sossego durante muito tempo. Também aqui se impõe uma reflexão sobre o significado actual da vida em família: para mim, ensinado pela Psicologia e Psiquiatria de que é fundamental a vinculação de uma criança a um adulto seguro e disponível, não faz sentido aceitar que esse desígnio possa alguma vez ser bem substituído por uma instituição como a escola, por melhor que ela seja. Gostaria, pois, que os pais se unissem para reivindicar mais tempo junto dos filhos depois do seu nascimento, que fizessem pressão nas autarquias para a organização de uma rede eficiente de transportes escolares, ou que sensibilizassem o mundo empresarial para horários com a necessária rentabilidade, mas mais compatíveis com a educação dos filhos e com a vida em família.”
Daniel Sampaio in Jornal Público, 15 de Fevereiro de 2009

Nos dias de hoje, os pais centram-se cada vez mais em trabalhar para dar aos seus filhos tudo o que eles necessitam: comida, roupas, material escolar e até um brinquedo ou outro, mas a verdade é que muitos destes pais não se lembram de um bem essencial e fundamental para o bom desenvolvimento de uma criança: passar tempo com os seus filhos e dar-lhes atenção.
A capacidade da criança em desenvolver autonomia, personalidade, ser mais forte e juntamente desenvolver a sua independência para enfrentar o mundo com todos os conflitos, dificuldades e também superações dependem muito da figura materna e a forma que lida com seu filho. Esse factor vai determinar a vida futura da criança, na adolescência e na fase adulta.
Se uma pessoa teve a sorte de crescer num bom lar comum, ao lado de pais afectivos dos quais pôde obter apoio incondicional, conforto e protecção, consegue desenvolver estruturas psíquicas suficientemente fortes e seguras para enfrentar as dificuldades da vida quotidiana. (Bowlby, 1984).
Se surgem perturbações durante o processo de vinculação, dependendo da sua função, natureza, gravidade e duração, estas afectarão o indivíduo ao nível das emoções, cognições e comportamentos (Soares, 2009).

Embora a falta de tempo possa ser justificada, é bom reforçar a necessidade de uma vinculação forte. A criança começa a dar os primeiros passos no seu desenvolvimento através de observação directa dos comportamentos dos seus modelos (quer sejam pais, professores e outras pessoas que convivam com ela diariamente). (Teoria da aprendizagem de Bandura).
A falta de tempo dos pais para os seus filhos não só traz consequências para a criança como também para a família. Qual o pai ou mãe que não gostaria de estar presente quando o seu filho diz a primeira palavra? Quando dá o seu primeiro passo? A perda destes pequenos momentos pode afectar estes pais, que ao fim do dia quando finalmente se encontram com o seu filho, sentem que não puderam desfrutar da sua companhia, que foi mais um dia em que perderam uma contribuição para o seu desenvolvimento e crescimento.
Assim, as sugestões de Daniel Sampaio no excerto da notícia acima, como o facto de os pais se unirem e fazerem pressão junto das autarquias para uma rede eficiente de transportes escolares e para sensibilizar o mundo empresarial de forma a usufruírem de horários compatíveis com a educação dos filhos e com a vida em família, podem ser pontos fulcrais para um melhor desenvolvimento das suas crianças e para uma vida em família em harmonia e bem estruturada.

Tivemos conhecimento de um movimento cívico que reúne várias mães na luta pela conciliação entre a vida profissional e familiar. Este movimento denominado por “Revolucionar para Flexibilizar” foi criado em Abril de 2011 e pretende desafiar as empresas a testar a produtividade de um profissional motivado. De uma forma “harmoniosa” foi criado espontaneamente por Carla Rodrigues, que depois de mãe acabou por deixar o emprego para se dedicar a maternidade.
É no blogue revolucionarparaflexibilizar.blogspot.com que esta temática é discutida virtualmente, mas com o objectivo de se tornar em acções concretas.
Outra informação interessante que encontrámos neste blogue foi a referência a um vídeo, em que Michelle Obama no “Forúm on Workplace Flexibility” de 2010 fala sobre “a importancia da flexibilidade e da conciliação entre trabalho e família”. O vídeo está em inglês, mas para quem tem os mínimos conhecimentos nesta língua não é difícil compreender o seu discurso.

Nota: O discurso inicia-se ao minuto 11.

São iniciativas como esta que se tiverem adesão se tornam promissoras e muitas vezes conseguem atingir os seus objectivos. 

3 comentários:

  1. Boa tarde meninas!
    Antes de mais gostava de referir que "arranjar tempo para os filhos" e conciliar esse tempo com o trabalho, é sem dúvida um grande desafio para nós, os pais.
    Gostei da vossa abordagem e achei interessante terem referido esse movimento "Revolucionar para flexibilizar".
    Por fim, o vídeo, está muito bom, boa pesquisa!
    Beijinhos

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  2. Lembro-me que quando era criança, os meus pais, com profissões cujos horários eram muito carregados e por turnos, tinham pouco tempo para estarem comigo.. Umas vezes porque trabalhavam de noite e durante o dia eu tinha escola, outras trabalhavam de dia e eu a noite tinha de dormir... mas a verdade é que nunca me faltou o carinho deles, apesar de não serem tantos os momentos em que estava a família toda reunida.
    Acho que apesar de tudo, se houver vontade há sempre maneira de conciliar as coisas, os pais só têm que se sacrificar um pouco e tentarem fazer os filhos compreenderem que não estão "sozinhos" e podem contar sempre com o apoio dos pais.

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  3. Muito obrigada pelos vossos comentários.. se quiserem saber algo mais sobre qualquer uma das publicações, é só dizerem :)
    Cumprimentos!*

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